Pesquisa identifica obesidade na escola

Publicado quinta-feira, 18 de setembro de 2008, categorizado em: Diversos.
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Correio Popular - 08/06/2008

Estudo da PUC-Campinas e Unicamp com alunos de 2 a 6 anos mostra que 26% estão acima do peso ou obesas

O aumento do consumo de alimentos industrializados e a rotina mais sedentária têm contribuído, e muito, para o crescimento da obesidade infantil. Os reflexos dessas mudanças de hábitos não são nada animadores para a saúde dessas crianças e adolescentes, que terão riscos maiores de se tornarem adultos com sobrepeso e ainda aumentar a chance de sofrerem de doenças crônicas. Parte desse problema pode estar relacionada diretamente às merendas oferecidas pelas escolas, pelos lanches servidos nas cantinas ou simplesmente pelos hábitos alimentares praticados dentro de casa.

Uma pesquisa realizada em conjunto pela Faculdade de Nutrição da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) e pelo Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apontou que uma parcela significativa da população infantil matriculada em escolas públicas de Campinas já registra sobrepeso ou obesidade. O estudo avaliou 2.003 crianças com idades entre 2 e 6 anos matriculadas em 17 centros municipais de Educação Infantil (Cemeis) e escolas municipais de Educação Infantil (Emeis) da cidade e chegou a uma conclusão preocupante. O sobrepeso foi verificado em 14,4% — o equivalente a 289 indivíduos da população avaliada — e a obesidade atingiu 11,8% (236 crianças).

O estudo, encerrado em 2006, mostrou que a obesidade aumenta com a idade. Perto de 31% das crianças aos 6 anos apresentou esse tipo de diagnóstico. A pesquisa mostrou também que o problema é mais acentuado no sexo feminino: a prevalência de obesidade entre as meninas foi 5,5 vezes maior aos 6 anos (37,5%) do que aos 2 anos (9,3%). Somando-se os dois tipos de classificação, 26,2% das crianças de 2 a 6 anos apresentaram excesso de peso.

O levantamento foi realizado em escolas instaladas em quatro diferentes regiões da cidade e de diferentes estratos socioeconômicos.

No ano passado, um novo estudo, desta vez exclusivamente da Faculdade de Nutrição da PUC-Campinas, em três unidades básicas de Saúde (UBS) da região Noroeste da cidade, mostrou resultado semelhante. Em um universo de 1.186 crianças com até 6 anos, verificou-se 10,1% (113 crianças) com sobrepeso. De acordo com a nutricionista Semiramis Martins Alvares Domeni, que coordenou a pesquisa ao lado das professoras Maria Angélica Tavares de Medeiros (da PUC-Campinas) e Paula Andrea Martins (da Universidade Federal de São Paulo, Unifesp), o estudo de 2007 mostra que o exemplo em casa é fundamental.

“O melhor recurso para educação dos filhos é o modelo: os pais podem contribuir muito para a saúde de seus filhos ao adotarem práticas alimentares saudáveis, o que inclui a escolha de alimentos adequados, o estabelecimento de rotinas para alimentação com horários combinados de acordo com a disponibilidade da família. Estabelecida como projeto familiar, a alimentação saudável trará benefícios não apenas às crianças, mas também aos pais e outros familiares”, disse ela.

A alimentação das crianças nas cantinas das escolas é outro problema. “A cantina escolar é um local de venda de alimentos que, na grande maioria das vezes, apresentam elevada quantidade de calorias e poucos nutrientes. A existência de cantinas com esse perfil é uma distorção no ambiente escolar, que se constitui em um local privilegiado para a formação da escala de valores e de preferências alimentares. Nas escolas públicas, as cantinas têm ainda o efeito de interferir na aceitação da refeição fornecida pelo Programa Municipal de Alimentação Escolar, vinculado ao Programa Nacional de Alimentação Escolar”, diz a especialista. A professora diz não haver “o lanche perfeito”. Apesar disso, alguns parâmetros devem ser observados.

Sedentarismo

A endocrinologista infantil Mila Pontes Ramos Cunha acredita que o número de crianças obesas só tem aumentado nos últimos anos devido à busca pela praticidade na vida moderna e à diminuição da prática de exercícios físicos. “Hoje, dificilmente se vê crianças brincando na rua ou praticando algum tipo de esporte. A maioria fica dentro de casa, na frente da televisão, jogando videogame, computador, até mesmo porque os pais preferem que seus filhos fiquem em casa por causa da violência”, exemplificou. “Além disso, a maioria prefere tomar um refrigerante do que pegar laranjas para preparar um suco natural.”

Para ela, essas mudanças de hábitos têm grande influência no sobrepeso das crianças.. Outro fator apontado pela endocrinologista são as práticas promovidas pelos governos para combater a desnutrição infantil, inadequadas para crianças que estão acima do peso. “Isso é um grande problema porque, muitas vezes, o aluno está acima do peso e a merenda escolar é calórica. Às vezes, é servido macarrão às nove da manhã ou às três da tarde. Na maioria das vezes, essa criança vai almoçar quando chegar da escola ou já almoçou. Os lanches são muito fortes e fazem parte de um cardápio pesado, principalmente para quem está fora do peso normal.”

Contudo, Mila disse que os pais não devem proibir nenhum tipo de alimento para os filhos. A orientação é disciplinar as refeições e moderá-las. “Os pais devem manter uma rotina saudável durante a semana. Incluir frutas no cardápio, iogurtes e sucos naturais. E deixar os alimentos mais calóricos para os finais de semana, quando tiver uma festa, por exemplo”, alertou a endocrinologista. “O pai tem todo direito de impor limites na alimentação da criança, pois isso irá refletir num crescimento sadio e evitar doenças”, ressaltou.

Acordo

A nutricionista do Hospital e Maternidade Celso Pierro, Maria Camila Buarraj Gomes, acredita que os pais devem conversar com os filhos e chegarem num acordo na questão da alimentação no horário escolar.

Merenda ideal

Para a nutricionista, a merenda ideal deveria conter uma fruta, um copo de leite ou suco e uma fonte de carboidrato, como um pão com margarina ou quatro bolachas salgadas ou doces, sem recheio. “Recomendamos esse tipo de merenda, mas sabemos que é difícil mantê-la, principalmente por causa da questão social. Os pais muitas vezes não têm como comprar esses tipos de alimentos. Por isso, a merenda da escola deveria ser readequada”, disse.

CANTINA ENXUTA – Normas para cantinas nas escolas estaduais

  1. É expressamente proibida a comercialização, pela cantina escolar, de produtos prejudiciais à saúde e que não ofereçam condições nutricionais e higiênico-sanitárias, bem como aqueles que possam ocasionar obesidade e outros problemas de saúde causados por hábitos incorretos de alimentação.
  2. Fica permitida a comercialização dos seguintes alimentos, visando à aquisição de hábitos alimentares saudáveis para melhoria da qualidade de vida:
    • Frutas, legumes e verduras
    • Sanduíches, pães, bolos, tortas e salgados e doces assados ou naturais: esfiha aberta ou fechada, coxinha e risoles assados, pão de batata, enroladinho, torta, quiche, fogazza assada, entre outros produtos similares
    • Produtos à base de fibras: barras de cereais, cereais matinais, arroz integral, pães, bolos, tortas, biscoitos barras de chocolate menores de 30g ou mista com frutas ou fibras
    • Suco de polpa de fruta ou natural
    • Bebidas lácteas
    • Bebidas ou alimentos à base de extratos ou fermentados (soja, leite, entre outros)

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