Estados Unidos vão aumentar restrição a propagandas de alimentos para crianças

Publicado segunda-feira, 2 de maio de 2011, categorizado em: Diversos.
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Por William Neuman (Tradução: UOL)

Será que o Tucano Sam (Toucan Sam, o mascote dos sucrilhos Froot Loops) terá o mesmo destino do Camelo Joe (Joe Camel, o mascote dos cigarros Camel)?

O governo dos Estados Unidos propôs na quinta-feira (28) novas e abrangentes diretrizes que poderão obrigar a indústria de alimentos a modificar a forma como faz propaganda de sucrilhos, refrigerantes, lanches, refeições de restaurantes de fast-food e outros alimentos para crianças.

Mencionando uma epidemia de obesidade infantil, os reguladores selecionaram como alvo uma ampla gama de táticas utilizadas para fazer propaganda de alimentos com altos teores de açúcar, gordura ou sal para crianças, incluindo o uso de personagens de desenhos como o Tucano Sam, e o vivamente colorido mascote da Froot Loops, que aparece em comerciais de televisão e jogos online, bem como em caixas de sucrilhos.

Os reguladores estão dizendo aos fabricantes de alimentos e às companhias de restaurantes que façam uma escolha: ou tornem os seus produtos mais saudáveis ou parem de fazer propagandas deles para as crianças.

“O Tucano Sam pode vender alimentos saudáveis ou prejudiciais à saúde”, diz Dale Kunkel, professor de comunicação da Universidade do Arizona, que estuda o marketing dos alimentos infantis. “Isso obriga o Tucano Sam a ficar associado aos produtos saudáveis”.

As diretrizes, divulgadas pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos, englobam uma ampla gama de iniciativas de marketing, incluindo propagandas de televisão e em mídia impressa, websites, jogos online que funcionam como propagandas camufladas, sites de mídia social, veiculação de produtos em filmes, o uso de personagens de filmes em promoções paralelas e comidas para crianças vendidas em restaurantes especializados em fast-food.

A inclusão de mídia digital nas diretrizes, como por exemplo jogos baseados em produtos alimentícios, representa uma das tentativas mais vigorosas do governo até o momento de fazer frente à amplitude das propaganda para crianças no universo online, o que os defensores da saúde infantil dizem que é um problema crescente.

A ideia é que as diretrizes tenham caráter voluntário, mas as companhias provavelmente enfrentarão uma grande pressão para adotá-las. As companhias que decidirem participar terão de cinco a dez anos para fazer com que os seus produtos e propagandas atendam às exigências.

“Existe nitidamente uma demanda escondida por trás da luva de veludo que é a apresentação desse projeto como uma iniciativa voluntária”, diz Dan Jaffe, vice presidente da Associação Nacional de Publicitários, um grupo que representa clientes como a Kraft Foods e a Campbell Soup.

Ao vincular explicitamente as propagandas à obesidade infantil, o governo está sugerindo que existe um lado mais sombrio nas figuras engraçadinhas como o Cap’n Cruch, os elfos Keebler, Ronald McDonald e os personagens de filmes e de televisão que são usados para promover a venda de alimentos. Isso faz também com que surja a possibilidade de que esses personagens acabem tendo o destino do Camelo Joe, o personagem de desenho utilizado para promover os cigarros Camel, que foi retirado de cena em meio às alegações de que ele tinha como objetivo fazer com que as crianças se sentissem atraídas pelos cigarros.

“A nossa proposta cobre de fato todas as formas de marketing para crianças. As embalagens de produtos e os temas e imagens nas caixas de sucrilhos atraem tremendamente o público infantil”, afirma Michelle Rusk, uma advogada que trabalha na comissão de comércio. “O objetivo é encorajar as crianças a comer mais alimentos saudáveis porque a obesidade infantil se constitui em uma enorme crise de saúde”.

Em 2006, a Comissão Federal de Comércio anunciou que as companhias de alimentos gastavam quase US$ 2,3 bilhões (R$ 3,6 bilhões) com propagandas dirigidas às crianças.

A indústria de alimentos imediatamente criticou a proposta, alegando que já tomou medidas significativas no sentido de melhorar as receitas e modificar a maneira como faz propaganda para o público infantil.

A Kellogg, a companhia que fabrica os sucrilhos Froot Loops, disse em uma declaração que iria rever a proposta e que se compromete a melhorar “as credenciais nutricionais” dos seus produtos.

“Nós temos critérios bastante específicos, baseados em uma análise ampla de relatórios científicos, que determinam quais produtos serão objetos de propaganda dirigida a crianças e como será feita essa propaganda”, declarou a companhia.

A Kellogg já reduziu o teor de açúcar e acrescentou cereais integrais a vários dos seus sucrilhos.

Scott Faber, vice-presidente da Associação dos Fabricantes de Alimentos Vendidos em Supermercados, um grupo que representa os fabricantes de alimentos, diz que as propagandas de comidas embaladas veiculadas na televisão e direcionadas para crianças de dois a 11 anos sofreram uma redução significativa desde 2004, e que as propagandas exibidas com maior frequência são aquelas de tipos de alimentos mais saudáveis. Segundo ele, as companhias também modificaram diversas receitas para reduzir o sal, o açúcar e a gordura e para acrescentar ingredientes saudáveis, como cereais integrais. “O ritmo da reformulação vai aumentar, não como resultado dos princípios que foram anunciados hoje pelo governo, mas sim porque os consumidores estão exigindo mudanças no mercado”, explicou Faber.

Muitas companhias de alimentos participam de uma iniciativa liderada pelo setor, a Iniciativa de Propagandas de Alimentos e Bebidas para Crianças, com o objetivo de restringir parte das atividades de marketing na área. Mas cada companhia que participa tem permissão para estabelecer os seus próprios critérios nutricionais, o que, segundo os críticos, prejudica a eficácia do programa.

Os reguladores dizem que é importante que a indústria alimentícia como um todo adote um conjunto uniforme de padrões.

As diretrizes foram criadas a pedido do congresso e redigidas pela comissão, pela Administração de Alimentos e Remédios dos Estados Unidos, pelo Departamento de Agricultura e pelo Centro para a Prevenção e o Controle de Doenças. Os reguladores afirmaram que terão que ouvir comentários e cogitar mudanças antes de apresentarem um relatório final ao congresso.

As diretrizes determinam que todos os alimentos que sejam objeto de propaganda para crianças atendam a duas exigências básicas. Eles terão que incluir certos ingredientes saudáveis, como cereais integrais, frutas frescas e verduras e legumes, ou leite de baixo teor de gordura. E eles não poderão conter quantidades de açúcar, gorduras saturadas e sal que sejam prejudiciais à saúde.

A exigência relativa ao açúcar estabeleceria um limite de oito gramas de açúcar acrescentado por porção, o que é bem menos do que contêm os sucrilhos populares atuais. O Froot Loops e o Cap’n Crunch, por exemplo, contêm 12 gramas de açúcar por porção.

As restrições relativas ao sal são particularmente estritas, e as companhias terão dificuldade em fazer com que vários alimentos embalados vendidos atualmente nos supermercados atendam a essas exigências. Em um período inicial de reajuste, as diretrizes recomendam que vários alimentos não contenham mais do que 210 miligramas de sódio por porção, e que vários pratos e refeições, incluindo tanto comidas servidas em restaurantes quanto alimentos embalados, não contenham mais do que 450 miligramas. Uma lata de 425 gramas de ravióli de carne bovina Chef Boyardee, por exemplo, atualmente oferece duas porções, cada uma delas com 750 miligramas de sódio. As restrições ao sódio se tornariam mais rígidas com o passar do tempo.

As agências federais admitiram que “uma grande proporção dos produtos alimentícios atualmente no mercado não atenderia a esses requerimentos”.

As diretrizes vão se aplicar tanto aos alimentos para crianças jovens quanto àqueles para adolescentes. A indústria alegou que deveria haver maior flexibilidade em relação aos alimentos para adolescentes, e Rusk disse que as agências avaliarão tais argumentos.

Margo Wootan, diretora de políticas de nutrição do Centro para a Ciência no Interesse Público, um grupo de defesa do consumidor, prevê que as diretrizes obrigarão diversas companhias a aceitar grandes restrições e a melhorar as receitas dos seus alimentos.

“Com toda essa preocupação com a obesidade infantil, eu creio que existe muita pressão sobre as companhias para que estas façam a coisa certa e sigam esses padrões”, disse Wootan.

Jeffrey Chester, diretor executivo do Centro para a Democracia Digital, um grupo dedicado à pesquisa do marketing na Internet dirigido a crianças, diz que a proposta da Comissão Federal de Comércio poderá ter vastas implicações.

“A questão da obesidade de crianças e adolescentes colocou o marketing digital na alça de mira das agências reguladoras”, afirma Chester.

Matt Richtel, em São Francisco, contribuiu para esta matéria.
Fonte: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/
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Um comentário para “Estados Unidos vão aumentar restrição a propagandas de alimentos para crianças”

  1. A educação inclui também hábitos alimentares. O que você come, é o que você é, já dizia alguns pensadores.
    As escolas, a família e a sociedade em geral, deve cuidar e alerta as crianças quanto a questão dos alimentos mais saudáveis. É um dever nosso – adultos conscientes dessa realidade, fazer o melhor por nossas crianças brasileiras.

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