Banco Imobiliário se moderniza
Publicado domingo, 16 de novembro de 2008, categorizado em: Diversos.
Principais tags: Banco, Brinquedo, Imobiliário.
Correio Popular, 17/08/08
Que atire o primeiro dadinho quem nunca comprou um terreno na Avenida Paulista, em São Paulo, ou quem nunca quis construir um hotel na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, no Rio. Esses projetos estiveram, por décadas, entre os mais arrojados dentro da estratégia dos jogadores do Banco Imobiliário, jogo de tabuleiro de maior sucesso no Brasil em todos os tempos. Só que, a partir de agora, eles terão que ser revistos. Depois de ter 20 milhões de unidade vendidas no País em 64 anos, o jogo acaba de ser atualizado. Ganhou, além de uma nova roupagem, novos pontos de “cobiça” imobiliária, na sua versão tradicional, além de duas novas versões: uma com pontos turísticos do Brasil e uma com o tema sustentabilidade.
Fabricado pela Estrela desde 1944, o Banco Imobiliário é uma variação do norte-americano Monopoly (Monopólio) e fez parte da vida de boa parte da população brasileira. O objetivo dos jogadores (que podem ser entre dois e seis) é realizar transações imobiliárias dentro de um mercado próprio de negócios onde o objetivo é acumular patrimônio, comprar terrenos e construir casas e hotéis. Tudo muito parecido com a vida real.
A nova versão do Banco Imobiliário traz lugares como a ponte do Rio Guaíba, em Porto Alegre, a Praça dos Três Poderes, em Brasília, e a Avenida Recife, na Capital de Pernambuco, que disputam espaço com os novos Higienópolis, Rua Oscar Freire, Ponte Rio Niterói e Marina da Glória.
“Todo brinquedo é um espelho do que a sociedade vivencia naquele momento. Com os processos de comunicação tão dinâmicos nos dias de hoje, achamos por bem atualizar os locais do jogo e inserir novos pontos de interesse”, disse Aires Leal Fernandes, diretor de marketing da Estrela.
Para ele, a possibilidade de equiparar adultos e crianças é um dos maiores atrativos do jogo, que ele classifica como o mais vendido do País em todos os tempos. “O jogo possibilita negociações, investimentos, uma simulação da própria vida. Equipara as crianças aos adultos.
O jogo
O jogador ganha dinheiro no começo da disputa, a mesma quantidade de todos seus adversários, e sai comprando tudo o que encontra pelo seu caminho. Com as “escrituras” dos terrenos nas mãos, pode começar a investir seu dinheiro em casas e hotéis. O proprietário dos imóveis “fatura” quando seus adversários no jogo caem, depois de atirar os dados, nas casas que são suas. O valor do aluguel varia de acordo com o local. Ganha quem conseguir, após horas, “quebrar” os adversários.
Em tempos de jogos eletrônicos e de novas tecnologias, o Banco Imobiliário é uma exceção, pois não tem nada digital. Tem como “console” um tabuleiro de papelão dividido em “casas” que o jogador deve percorrer com um pino colorido após jogar dois dados. Há algumas armadilhas pelo caminho, cartas de papel com “sorte” ou “revés” e casinhas de plástico que determinam o status do jogador na partida. Quanto mais casas e hotéis o jogador tiver, mais rico e mais perto da vitória fica.
Os jogadores
Para a estudante Daniela Paula Rolim de Moura, de 21 anos, a novidade traz de volta os tempos de infância e adolescência que ela passava com o irmão, primos e vizinhos jogando Banco Imobiliário. “Lembro que era muito difícil de o jogo acabar, por isso, passávamos tardes inteiras jogando”, disse.
Daniela diz que o que mais atraía na época era a possibilidade de lidar com dinheiro e com investimentos. “Era tudo muito parecido com a realidade que a gente queria viver. Para a criança, administrar bens e mexer com dinheiro, com as notas do jogo, era muito legal”, disse.
O estudante Júlio Otávio Silveira Rodero, de 13 anos, concorda com Daniela. “Acho que meu pai me deu para aprender a ser mais esperto nas negociações”, disse. Ele joga desde os 8 anos com os mesmos amigos em uma disputa que dura até hoje. Um dos “rivais” de Júlio, Bruno Regolin de Oliveira, também de 13 anos, diz ser atraído com a possibilidade de comprar tudo o que deseja. “É muito competitivo, se fosse real ia querer uma casa no Morumbi”, sonha Bruno.
Felipe Ferreira, de 21 anos, disse que quando era mais novo encontrava seu jogo nas mãos dos tios, que se divertiam em uma roda de amigos. “Como distrai e usa o raciocínio ao mesmo tempo, meus tios adoravam. Quando via meu jogo com eles, eu brincava junto”, contou.
Ficção misturada com realidade é o que motiva Michele Santos, de 19 anos, a chamar as amigas e passar horas com o jogo. “Precisamos usar inteligência e tática para saber administrar o dinheiro, dá até para ver se saberemos usar bem nossos bens na vida real”, explicou.
Vendas cresceram 15% no Brasil no ano passado
A Estrela detectou, no ano passado, um aumento de 15% das vendas do jogo no Brasil. Foram 500 mil unidades. Segundo o presidente da Estrela, Carlos Tilkian, as vendas são mais intensas no Dia das Crianças e no Natal, mas o Banco Imobiliário não respeita essa regra. As vendas são “espalhadas” ao longo do ano. “Os jogos proporcionam a socialização. São ótima atividade para as férias. Além disso, o Banco Imobiliário ajuda a aprender a lidar com o dinheiro”, disse Tilkian. Segundo Walter Goulart, gerente da loja Luck Brinquedos, em Campinas, as vendas do Banco Imobiliário são constantes. “Não tem um pico nem momentos de queda. A procura é durante o ano inteiro. É com certeza um dos jogos mais procurados na loja”, afirmou. (GB/AAN)
SAIBA MAIS
O historiador Danilo José Figueiredo vê uma ligação da criação do jogo com o momento histórico que os Estados Unidos atravessavam em 1944. “Era uma transição da economia norte-americana. O velho modelo liberal, que fracassara em 1929, começava a ser substituído pelo novo modelo keynesiano. O modelo liberal ainda impregnado do imaginário popular levara ao surgimento das grandes corporações monopolistas, como a de John Rockefeller, o modelo de self made man consagrado no sonho americano. Todos queriam ser multimilionários. O jogo, dentro desse contexto, permitia ainda, no plano da fantasia, a realização do sonho americano”, disse. No âmbito do Brasil, Figueiredo também vê um paralelo semelhante. “A Era Vargas importou o american way of life (modo de vida americano) da Era Franklin Roosevelt, através da política da boa vizinhança e, dentre os meios culturais norte-americanos trazidos ao Brasil, também estava o jogo Monopoly”, disse Figueiredo.
- Banco Imobiliário Tradicional
- Banco Imobiliário Banco Luxo
- Banco Imobiliário Jr.
- Banco Imobiliário Disney
- Banco Imobiliário Simpsons
- Banco Imobiliário Turma da Mônica
- Banco Imobiliário Sustentável
- Banco Imobiliário Spiderman
Versão ‘verde’ é feita com material 100% renovável
O Banco Imobiliário ganhou uma versão ecologicamente correta com tema que gira em torno de um dos conceitos mais celebrados do momento, a sustentabilidade. As peças são feitas de plástico “verde”, material feito à base de cana-de-açúcar desenvolvido pela Petroquímica Braskem e que está se consolidando como um divisor de águas no mercado de polímeros, pois é feito com matérias-primas 100% renováveis. O tabuleiro, a caixa e as cartas são feitos com papel reciclado.
Em vez de bairros e ruas importantes, as casas do tabuleiro são reservas naturais como Pantanal, Rio São Francisco, Chapada dos Veadeiros, Serra da Mantiqueira e locais de produção de cana-de-açúcar, como Ribeirão Preto, Três Lagoas (MS) e Teotônio Vilela (AL).
As companhias foram substituídas por empresas como Companhia de Reciclagem Energética e Companhia de Reflorestamento. As cartas de “sorte” e “revés” também estão temáticas. O jogador pode sofrer reveses como “sua empresa foi multada por poluir demais” ou sortes como “você protegeu suas terras do desmatamento e faturou com o turismo ecológico” e “sua cadeia de restaurantes orgânicos é um sucesso”.
“Entendemos que levar essas inovações para as crianças faz parte de um processo de educação importante sobre conscientização ambiental para que, quando se transformarem nos novos líderes mundiais, possam dar melhores contribuições ao crescimento sustentável de nosso planeta”, afirma Carlos Tilkian, presidente da Estrela. O produto chegou ao mercado em julho e é vendido, por R$ 74,97, apenas na rede Wal-Mart. (GB/AAN)
Novo tabuleiro leva a uma viagem por todo o Brasil
Uma das novas versões do jogo lembra um guia de viagem. O Banco Imobiliário Brasil, ao contrário do anterior, que trazia apenas endereços cariocas e paulistanos, “coloca à venda” 22 pontos turísticos nacionais. Os locais foram escolhidos por 73.815 internautas entre 69 destinos por uma votação no site da Estrela em abril e junho.
Estão lá lugares como Blumenau (SC), com 11.945 votos, ficando em primeiro lugar, e a Lagoa dos Patos (RS), com 5.527 votos. O Cristo Redentor, no Rio, teve 1.372 votos. As cinco regiões do Brasil fossem contempladas. A quantidade de propriedades de cada Estado teve como base a proporção de seus habitantes em relação à população total do Brasil.
O Elevador Lacerda, em Salvador, Fernando de Noronha, o Mercado Ver-O-Peso de Belém e o Bumbódromo de Parintins foram alguns dos vencedores. Em São Paulo, de uma acirrada listagem que incluía o Edifício Copan e Interlagos, saíram vitoriosos o Masp, a Rua 25 de Março, o Parque do Ibirapuera e o Museu do Ipiranga. No Rio, disputaram o concurso e não foram eleitos o Maracanã, a Ponte Rio-Niterói, a Baía de Guanabara e a Marquês de Sapucaí.
“O jogo é sucesso no Brasil inteiro. As crianças que moram fora das capitais São Paulo e Rio de Janeiro muitas vezes não conhecem os locais que figuram no tabuleiro. Os pontos turísticos que escolhemos agora são referências bastante fortes”, analisa Aires Leal Fernandes, diretor de marketing da Estrela. O preço médio é R$ 85,00. (Kátia Nunes/AAN)
Jogo ajuda na reabilitação de crianças na Unicamp
Há oito anos, o Banco Imobiliário é usado pelos estagiários de fonoaudiologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) no Centro de Estudos e Pesquisas em Reabilitação (Cepre). O centro atende crianças com dificuldades auditivas e escolares, trabalhando com o estímulo à leitura e participação em dinâmicas de grupo.
“Esse jogo traz o entendimento de regras, códigos e noções de matemática no tabuleiro”, explica a supervisora do estágio de Leitura e Escrita, Ivani Rodrigues Silva. Segundo ela, as crianças com problemas para ler, se esforçam para entender as instruções do jogo, estimulando a leitura e o aprendizado.
Por outro lado, Ivani aponta a brincadeira como uma atividade social. “Elas aprendem a lidar com dinheiro, com o que têm e o que podem perder querendo ter demais. Questões sociais são ótimas para o desenvolvimento de crianças com alguma dificuldade”, explica. (AAN)
Partidas estreitam vínculo e estimulam convivência
Jogos à moda antiga com a família ou amigos são alternativa frente aos games eletrônicos.
Para a psicóloga Maria Silvia Pinto de Moura Librandi da Rocha, jogos como o Banco Imobiliário estimulam a convivência. “Jogar com amigos, com pessoas da família costuma ser uma prática de lazer benéfica para o fortalecimento dos vínculos, colaborando para a construção de situações de trocas afetivas.”
Mas ela faz um alerta. “Entretanto, tudo depende do quanto e do como se joga. Qualquer atividade em excesso – ainda que seja saudável e prazerosa – pode trazer prejuízos pelo simples fato de estreitar, limitar o envolvimento com outras atividades.”
A psicóloga também vê o jogo à moda antiga como uma chance de deixar os games eletrônicos desligados. “Os jogos de tabuleiro podem ser uma alternativa para fazer frente aos jogos de computador, aos games, ao Playstation. Normalmente, nós adultos, nos queixamos e lamentamos muito que as crianças e os adolescentes fiquem tão envolvidos, e fazemos pouquíssimos investimentos para criar outras oportunidades de lazer.
Diretor Ridley Scott leva jogo “Banco Imobiliário” à tela grande (12/11/2008 – Folha SP)
NOVA YORK (Hollywood Reporter) - Um filme baseado no jogo "Banco Imobiliário" está saltando várias casas no tabuleiro para chegar perto da reta final.
Ridley Scott foi contratado oficialmente para dirigir o projeto, uma projeto entre a fabricante de jogos de tabuleiro Hasbro e o estúdio Universal, com a idéia de conferir ao filme uma aura futurista, algo na linha de seu trabalho ícone “Blade Runner – O Caçador de Andróides”.
A roteirista Pamela Pettler (“A Noiva Cadáver”, “A Casa Monstro”) vai criar uma narrativa baseada no célebre jogo imobiliário.
“Banco Imobiliário” é o jogo mais recente da Hasbro a ter aprovada sua passagem para a tela grande. Jogos de tabuleiro e propriedades de marca, como a bem-sucedida adaptação feita no ano passado de “Transformers”, vêm sendo vistos como mais atraentes num momento em que os estúdios procuram reduzir seus riscos, fazendo filmes que já tenham públicos prontos.
A Universal está trabalhando com a Hasbro em vários projetos, como parte de um contrato de desenvolvimento de longo prazo. A Platinum Dunes, de Michael Bay, diretor de “Transformers”, está produzindo sua adaptação para o cinema de “Ouija Board”, o “jogo do copo”, enquanto o clássico “Batalha Naval” também está em desenvolvimento.
No próximo verão americano a Paramount vai lançar um longa-metragem baseado no boneco “G.I. Joe”, enquanto “Trivial Pursuit: America Plays” está indo ao ar na TV como game show, exibido em vários canais dos EUA.
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